Banco Central corta juros pela primeira vez em dois anos; Selic cai de 15% ao ano
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reuniu nesta semana para decidir o rumo dos juros no Brasil. A reunião era uma das mais aguardadas do ano — o próprio BC havia sinalizado em janeiro que iniciaria um ciclo de cortes em março, caso o cenário projetado se confirmasse até a próxima reunião. CNN Brasil
O que é a Selic e por que ela importa para você
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo. Agência Brasil
Na prática, quando os juros caem, fica mais barato financiar uma casa, um carro ou abrir um negócio. O crédito fica mais acessível para as famílias e as empresas.
Maior nível em 20 anos
A Selic estava em 15% ao ano, seu maior nível em quase 20 anos, desde julho de 2006. InfoMoney O patamar elevado foi adotado para conter a inflação, que em 2025 fechou em 4,26% — dentro da meta, mas ainda pressionada por serviços e alimentos.
Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024, chegando a 15% ao ano na reunião de junho de 2025 e sendo mantida nesse nível desde então. Agência Brasil
O cenário para 2026
Com a inflação mostrando sinais de recuo, o Copom confirmou que começaria a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantivesse sob controle e não houvesse surpresas no cenário econômico. Agência Brasil
O Ministério da Fazenda manteve a previsão de crescimento do PIB em 2,3% para 2026, afirmando que “mesmo diante do choque nos preços do petróleo, as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis”. Jornal de Brasília
“Para 2026, a expectativa é de estabilidade no ritmo de crescimento e de continuidade da desinflação, possibilitando redução nos juros básicos.” — Secretaria de Política Econômica
O que esperar dos próximos meses
Para a XP Investimentos, os cortes seriam seguidos por cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual até setembro, chegando ao fim de 2026 em 12,5%. InfoMoney Já instituições como o Safra projetam a Selic em 11,5% ao final do ano.
O ritmo dos cortes vai depender do comportamento da inflação, do câmbio e do cenário fiscal do governo — especialmente em um ano de eleições municipais, quando os gastos públicos tendem a aumentar.